Florianópolis, 13.03.2026 - O nanossatélite Catarina-A2, desenvolvido pelo Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, foi aprovado nesta sexta (13) na Acceptance Review (AR), processo de avaliação conduzido por uma banca externa que atesta a prontidão do equipamento para o lançamento em órbita. Com a aprovação, o nanossatélite está apto para o lançamento e operação em órbita.
A conquista marca a conclusão de uma série de etapas técnicas rigorosas, incluindo os ensaios de aceitação realizados no Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos. O satélite integra o Programa Constelação Catarina.
"Simular as condições extremas do lançamento e da órbita é um dos maiores desafios de qualquer projeto espacial. O Catarina-A2 enfrentou cada um desses testes e saiu aprovado. Agora estamos prontos para o próximo passo", afirma Paulo Violada, pesquisador-chefe do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados.
Os ensaios aprovados incluíram o fit-check, que verificou se as dimensões e interfaces do satélite seguem as normas estabelecidas; vibração, que simulou as condições mecânicas durante o lançamento; e termovácuo, que reproduziu as condições do espaço, alternando temperaturas de -20°C a 50°C em ambiente de alto vácuo.
Aplicações
O nanossatélite tem dimensões de cerca de 10cm x 10cm X 34cm, similar a uma caixa de sapato, e permanece em órbita a cerca de 500 quilômetros do solo terrestre. O equipamento visa coletar dados e estabelecer a comunicação com estações em terra para órgãos meteorológicos, como o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura.
Mas o projeto não se limita a meteorologia e defesa civil, podendo atender às áreas de agricultura de precisão, clima, monitoramento de tempestades, meio ambiente, saúde, indústria 4.0, energia, mídia, educação, aviação e cidades inteligentes.
O Programa Constelação Catarina é liderado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e recebeu aporte de R$ 5 milhões provenientes de emendas parlamentares de Santa Catarina. Ele nasceu após o ciclone-bomba que atingiu o Sul do Brasil em junho de 2020, quando instituições nacionais e catarinenses passaram a discutir soluções espaciais para monitorar eventos meteorológicos extremos. Além do Instituto SENAI de Sistemas Embarcados, participam do projeto UFSC, AEB, MCTI e Defesa Civil.
Do VCUB1 ao Catarina-A2: trajetória de inovação aplicada ao espaço
O Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, em Florianópolis, já participou de projetos espaciais relevantes, como o desenvolvimento do primeiro nanossatélite da indústria brasileira (VCUB1), liderado pela Visiona Espacial e lançado em órbita nos EUA em abril de 2023.
“Estamos diante de um setor que vai movimentar cadeias produtivas inteiras nas próximas décadas. A atuação do SENAI no New Space não só projeta a inovação catarinense, mas também gera competências que fortalecem a competitividade da nossa indústria”, afirma o diretor-regional do SENAI, Fabrízio Pereira.
Mais recentemente, em parceria com o MIT (Massachusetts Institute of Technology), o SENAI/SC avançou na criação de um cluster de inovação New Space em Santa Catarina, iniciativa estratégica que busca consolidar um ecossistema tecnológico voltado a foguetes, nanossatélites, rovers e IoT aplicada ao setor espacial.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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